De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais

Artigo sobre o extermínio de homossexuais durante a Alemanha nazista. Fonte: http://www.estoufelizassim.hpg.ig.com.br/index.html


Os homossexuais perseguidos pelo Nazismo usavam um Triângulo Rosa sob o uniforme.

De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais

Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o "humanismo proletário", sustentando a tese de que o homossexualismo, enquanto "ruína dos jovens", era um produto típico do fascismo e que, portanto, não tinha lugar no coração do povo. Na mesma época, outros escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais, juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores, os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e enquadrado como "crime".

Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha (pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá". "Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava quase todos os presentes.

Em poucos dias foram eliminadas outras 200 pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de 11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também a Alemanha.

Hitler, até hoje se especula sobre a sua suposta homossexualidade, mas nada foi provado.

Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.

Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels, Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou: "Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer, que nos livrou dessa peste".

Roehm, o Homossexual poderoso e valente que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler.

 
Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os militares eram importantes para a constituição de uma poderosa Wermacht almejada por Hitler.

Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos, ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente adequado e então tudo isso acabará".

Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175 do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário: um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm, Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime ou adversários pessoais.

Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris (1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”, onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.

O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871, para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de atos homossexuais.

Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".

Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a uma "purificação completa", através do extermínio necessário de homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.

Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador deve manter a moderação num campo onde grandes investigações podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".

Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas. Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente) apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações, inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas, mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode imaginar, parece ser muito mais trágica.

(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a acusação considerada mais degradante).

Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame, Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel, Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.

Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais precisão.

Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer que foi terrível: estão quase todos mortos".

O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S. considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em palavras".

Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde), dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus (amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300 a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e os homossexuais.

 

Holocausto gay

Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão, que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim, Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um monumento aos gueis.

Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em virtude de sua natureza como genitoras.

Em 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém uma realidade que estava estampada na memória coletiva.

Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica, decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses depois, Martin Shermann, judeu e guei,  apresenta uma peça onde aborda pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para Paris e para a  Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da iconografia oficial dos nazistas.

Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e 1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos fiéis da Testemunhas de Jeová...

Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim

A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores, entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck (Partido Verde).

Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e estender a mão aos que sofreram injustamente.

Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos, racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de 30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.

Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.

Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para suspender todas a penas contra os homossexuais.

Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.


* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3. Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre.
** Artigo extraído do site glsplanet.com em 04 de julho de 2001.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro

Homossexuais na Alemanha Nazi

Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual. Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi.
A ideologia nazi sustentava que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa pelo Reich.

Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.

Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas. Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil, consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra, uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas, tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha. Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação, pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa Ocidental nos anos 1960 e 1970.

O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.

Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas, passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais, que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.


Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes, aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos pelos outros prisioneiros.

Depois da guerra, o sofrimento dos homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.


Este período da história mantém-se, contudo, rodeado em controvérsia. Em 2005, o Parlamento Europeu adoptou uma resolução relacionada com o Holocausto em que a perseguição nazi aos homossexuais não foi referida.

Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus.
Por essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897, com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de defesa dos direitos dos gays.
Estes progressos da comunidade gay foram rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.

O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana. Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam ainda o "contágio" gay.
Hitler acreditava que a homossexualidade era um "comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o "carácter masculino" da nação. Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento populacional alemão.
Os líderes nazis, como Himmler, consideravam também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial, manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização alemã de direitos dos homossexuais.


Os judeus alemães tiveram papel proeminente nos movimentos pelos direitos dos gays na Alemanha. A comunidade de artistas e realizadores de cinema judeus na Alemanha tinha, nessa época, uma grande concentração de homossexuais. Os judeus alemães, como Magnus Hirschfeld, foram duramente criticados. Foram demonizados pelas suas ideias controversas que eram chocantes para muita gente na Europa. Apesar de não estar envolvido nos debates em curso na Alemanha, Sigmund Freud, um judeu austríaco, também foi acusado pelos nazis devido às suas ideias controversas sobre sexualidade, particularmente sobre alguns dos seus conceitos incestuosos como o complexo de Édipo ou o complexo de Electra.


Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras obras consideradas "não-alemãs".
Em finais de fevereiro de 1933, à medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim, ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo, por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade), Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.

A 6 de maio de 1933, a Deutsche Studentenschaft organizou um ataque ao Instituto. Alguns dias depois a biblioteca e os arquivos do Instituto foram levados e publicamente queimados em Opernplatz ("Praça da Ópera", em Berlim). Cerca de 20 mil livros e revistas científicas, 5 mil fotografias e imagens, foram destruídos. Os nomes e endereços dos ficheiros do Instituto foram, também por essa altura, confiscados. Joseph Goebbels aproveitou a ocasião para, perto da fogueira, fazer um discurso político para uma multidão de 40 mil pessoas. Os líderes da Deutsche Studentenschaft proclamaram os seus Feuersprüche (decretos de fogo, "contra o espírito antialemão"), que levaram a que os livros de autores Judeus, mas também os livros antimilitaristas (como os de Erich Maria Remarque), fossem retirados das livrarias públicas e da Universidade de Humboldt para serem também queimados. O activista radical Adolf Brand foi dos poucos que não abandonou o país, mantendo-se corajosamente na Alemanha por mais cinco meses, após a queima dos livros. No entanto, a perseguição que lhe foi movida acabou por levá-lo de vencida e, em novembro de 1933, foi forçado a anunciar o fim dos movimentos organizados de emancipação sexual na Alemanha.

Na noite de 29 de junho de 1934, Hitler promoveu a Noite das Facas Longas, participando pessoalmente na prisão de Ernst Röhm, o líder da SA ("camisas pardas") que posteriormente seria assassinado conjuntamente com dezenas de outros oficiais. A homossexualidade de Röhm e dos seus oficiais foi utilizada por Hitler para aplacar a fúria que se apoderou das fileiras da SA. A esta purga seguir-se-ia o endurecimento da legislação contra a homossexualidade e a prisão de homossexuais com auxílio, ao que parece, da lista de nomes obtida no Instituto. Muitos milhares de prisioneiros acabaram em campos de concentração; outros, como John Henry Mackay, suicidaram-se.
Heinrich Himmler, que tinha inicialmente apoiado Röhm com o argumento que as acusações de homossexualidade contra ele eram maquinações judias, tornou-se muito activo na repressão aos homossexuais. Declarou: "Temos que exterminar esta gente pela raíz (...); os homossexuais têm de ser eliminados[2]."
Pouco depois da purga de 1934, uma divisão especial da Gestapo foi instruída para compilar uma lista de homens gays. Em 1936, Heinrich Himmler, chefe da SS, criou o "Gabinete Central do Reich para o Combate à Homossexualidade e ao Aborto."

Inicialmente os homens gays não tiveram o mesmo tratamento que os judeus; a Alemanha Nazi incluía os gays alemães como parte da raça ariana pura e tentou forçá-los à conformidade sexual e social. Os homens gays que não conseguissem ou não quisessem fingir uma mudança de orientação sexual eram enviados para campos de concentração ao abrigo da campanha de Arbeit macht Frei ("Libertação pelo Trabalho)."

Mais de um milhão de gays alemães foram identificados, dos quais cerca de 100 mil foram acusados e 50 mil condenados a penas de prisão por homossexualidade[3]. Centenas de homens gays que viveram sob ocupação nazi foram castrados por ordem dos tribunais[4].

Muitos dos perseguidos ao abrigo dessas leis nunca se identificaram como gays. De facto, tais leias "anti-homossexuais" mantiveram-se depois da guerra por todo o mundo ocidental até aos anos 1960 e 1970, de tal forma que muitos gays nunca se sentiram confortáveis para contar suas histórias de sofrimento à mão dos Nazis até aos anos 1970, quando a maioria dos países suprimiu as leis relacionadas com a sodomia.
As estimativas variam fortemente quanto ao número de homens gays que morreram nos campos de concentração durante o Holocausto, situando-se entre os 5 e os 15 mil. Os números mais elevados incluem gays que eram judeus e/ou comunistas. Os registos referentes às razões do internamento em muitos casos não existem, tornando difícil estimar com precisão quantos homens gays pereceram nos campos da morte (ver triângulo rosa).

Os homens gays sofreram tratamentos invulgarmente cruéis nos campos de concentração. Além de serem agredidos pelos guardas alemães, eram perseguidos muitas vezes também pelos outros prisioneiros. Sob a política Arbeit macht frei ("Libertação pelo Trabalho") nos campos de trabalhos forçados, recebiam regularmente os trabalhos mais pesados ou perigosos. Os soldados da SS utilizaram muitas vezes o triângulo rosa, que os homens gays eram obrigados a usar, como alvo para prática de tiro.

Esse tratamento cruel pode ser atribuído tanto às opiniões dos guardas da SS como às atitudes homofóbicas generalizadas na sociedade alemã da época. A marginalização dos gays na Alemanha reflectia-se nos campos de concentração. Muitos foram espancados até a morte por outros prisoneiros. Outros morreram às mãos de médicos nazis em experiências "científicas" destinadas a localizar o "gene gay" de forma a encontrar "curas" para as futuras crianças arianas que fossem gays.

Pierre Seel, um sobrevivente francês gay do Holocausto, teve a coragem de contar as suas experiências sob controlo Nazi. Quando estes subiram ao poder e ocuparam a sua cidade natal, Mulhouse, na Alsácia-Lorena, o seu nome constava de uma lista de gays e ele foi mandado apresentar na esquadra da polícia. Obedeceu para proteger a sua família de possíveis retaliações. Ao chegar à esquadra, ele e outros homens gays foram espancados. A alguns, que tentaram resistir, foram-lhe arrancadas as unhas. Outros foram violados com réguas de madeira partidas e tiveram os intestinos perfurados, causando graves hemorragias. Depois de ser preso, foi enviado para o campo de concentração de Schirmeck, onde foi forçado a assistir, conjuntamente com os outros prisioneiros em formatura, à execução do seu jovem namorado de Mulhouse que tinha apenas dezoito anos. Steel conta que os guardas o despiram completamente, enfiaram-lhe um balde de metal na cabeça e atiçaram os seus cães pastores alemães, que o morderam até a morte.
Esses tratamentos cruéis explicam a alta taxa de mortalidade dos homens gays nos campos de concentração quando comparada com a de outros "grupos anti-sociais". Um estudo de Ruediger Lautmann concluiu que 60% dos homens gays internados em campos de concentração não sobreviveram, comparado com 41% dos prisioneiros políticos e 35% de Testemunhas de Jeová. O estudo refere também que as taxas de sobrevivência de homens gays foram ligeiramente maiores para os que eram originários das classes média ou alta ou para os que eram bissexuais casados e com filhos.

Os prisioneiros homossexuais dos campos de concentração não foram considerados vítimas de perseguição Nazi a seguir à guerra[5]. As indemnizações e pensões sociais atribuídas a outros grupos de prisioneiros foram negadas aos gays, que continuavam a ser considerados criminosos — as leis antigay nazis apenas foram banidas em 1994, embora tanto a Alemanha Ocidental como a Alemanha Oriental tenham liberalizado as suas leis criminais contra a homossexualidade entre adultos nos finais dos anos 1960.
Os sobreviventes gays do Holocausto podiam ser re-encarcerados por "ofensas repetidas", e foram mantidos nas listas de "criminosos sexuais". Sob o Governo Militar Aliado da Alemanha, a seguir ao final da Guerra, alguns homossexuais foram forçados a cumprir as suas penas de prisão até o fim, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

As políticas antigay dos nazis e a sua destruição dos primeiros movimentos pelos direitos dos gays não foram considerados objectos dignos de estudo pelos historiadores e académicos que se debruçaram sobre o Holocausto. Apenas nos aos 1970 e 1980 começaram a surgir algumas abordagens ao tema, com sobreviventes do Holocausto a publicar as suas memórias, peças de teatro como Bent, pesquisa académica e documentários sobre a homofobia Nazi e a destruição das organizações pelos direitos dos gays.
Em 2005, o Parlamento Europeu assinalou o 60.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau com um minuto de silêncio e a aprovação de uma resolução que incluía o seguinte texto:
...27 de Janeiro de 2005, o sexagésimo aniversário da libertação do campo de morte de Auschwitz-Birkenau na Alemanha Nazi, onde um total de até 1,5 milhões de judeus, ciganos, polacos, russos e prisioneiros de outras nacionalidades, e homossexuais, foram assassinados, é não só uma ocasião suprema para que os cidadãos europeus relembrem e condenem o enorme horror e tragédia do Holocausto, mas também para salientar o perturbador aumento de anti-semitismo, e especialmente de incidentes anti-semitas na Europa, e para aprender de novo as abrangentes lições sobre os perigos de discriminar pessoas com base na raça, na etnia, na religião, na posição social, nas opções políticas ou na orientação sexual,... Em 6 de maio de 2008, uma rua de Berlim receberá o nome de Magnus Hirschfeld, precisamente na margem oposta do rio Spree, onde se situava o Instituto para o Estudo da Sexualidade. É a data do 75.º aniversário da destruição do Instituto, em 1933. E a 27 de maio de 2008 deverá ser inaugurado oficialmente o memorial de Berlim aos homossexuais perseguidos durante o período Nazi.


O triângulo rosa (Alemão: rosa Winkel) foi um dos símbolos usados nos campos de concentração nazistas. Indicava quais homens haviam sido capturados por práticas homossexuais. Todos os capturados pelos nazistas recebiam algum emblema em suas roupas. Judeus recebiam um emblema amarelo e mulheres tidas como "anti-sociais" (inclusive, mas não apenas lésbicas), o triângulo preto. É portanto, o símbolo mais antigo existente que representa a comunidade homossexual.[1][2]

O triângulo rosa de-ponta-cabeça passa a ser um dos símbolos de movimentos internacionais favoráveis às minorias sexuais, sendo, no entanto, um pouco menos popular que a bandeira arco-íris.
Parágrafo 175


O Parágrafo 175, conhecido formalmente como §175 StGB e também como "Section 175" na língua inglesa, foi uma medida do Código Criminal Germânico em vigor de 15 de maio de 1871 a 10 de março de 1994. O Parágrafo 175 considerava as relações homossexuais como crime, sendo que nas primeiras edições também criminalizava as relações sexuais humanas com animais, conhecidas como bestialidade.

Esta senhora alemã da foto aí em cima é charlotte von mahlsdorf. Ela nasceu em 1928 com o nome de lothar berfelde, na cidade de mahlsdorf, que lhe serve de sobrenome, e faleceu em 2002.
charlotte era travesti e sem abrir mão do desejo de ser mulher resistiu ao nazismo.
habitualmente, charlotte usava colares de pérolas com os quais sempre foi fotografada.
charlotte escreveu i am my own wife [sou minha própria esposa]

O dispositivo legal sofreu várias emendas ao longo do tempo. Quando os nazistas assumiram o poder em 1935, as condenações através do Parágrafo 175 aumentaram na ordem de magnitude de 10 vezes. Milhares de pessoas morreram nos campos de concentração, independentemente da culpa ou inocência relativas às suas práticas sexuais. Após o fim da Segunda Grande Guerra, a Alemanha foi dividida, e o Muro de Berlim foi a expressão concreta dessa divisão. A Alemanha Oriental (comunista) em 1950 e a Alemanha Ocidental (capitalista), em 1969, revogaram alguns dispositivos do Parágrafo 175. A rigidez do parágrafo em questão foi atenuada em 1973 e finalmente revogada em 1994, com a reunificação da Alemanha.

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