Quem dá mais por um Homem Forte?
Por Marccelus Bragg

Valverde, a grande paixão da Inga.
Como fala o homossexual baiano Inga da Língua “ ...do homem só existe para mim o que se pode pegar entre a cintura e os joelhos. Como tem gente com tempo para jogar fora, se sobrar outra coisa que não seja o pau e a bunda, podem ficar!”

No fundo do quintal e alimentado a mingau de Inhame, o Valverde treinava todos os dias.
Depois de décadas camuflada como homem num dos hospitais públicos a servir de “enfermeiro” para o povo pobre, a veterana Inga se dá conta de que tudo passou. Isto mesmo! Para ela sobra a recordação, porque o corpo já não tem a mesma provocação de antes “ Olha, você está aqui me olhando e vendo o resultado da fábrica de monstros que é esse maldito tempo, mas não se engane não, eu fá fui boa pra cacete, a mão única aqui, aquela estrada do só entra caralho, funcionou e muito. Mesmo mulata velha e gorda ainda acho quem me coma. Como nunca me faltou uns trocados no bolso, fiz a festa nas Docas da Cidade Baixa. Entendo de homem forte sim. E todos eles tem um preço. Uns custam mais e vale a pena outros não custam nada e até deveriam nos dar o troco!”

Este sou eu, Ademir o enfermeiro mas nas horas vagas me transformo na "Inga da Lingua"
“E pelo que me lembro , antes dessa coisa de homem borracha, todos malhados e inflados à base de bomba, a realidade era outra, existia realmente o homem forte. Muitos dos estivadores tinham músculos de fazer inveja a campeões. Eu conheci o Valverde de Itacaranha a quem ninguém chegava aos pés. O homem, um cabo verde vesgo, tinha a cintura fina, mas os ombros eram lagos demais. De frente, o Valverde para passar numa porta era impossível. Não sei se guardei uma foto dele aqui para mostrar para vocês. O conheci na noite de São João, a mãe dele D. Ismênia bateu na minha porta altas horas da madrugada “ Seu Ademir [este é o meu verdadeiro nome] o Valzinho esta com febre ele pegou uma doença ruim e tem aquela benzetacil para aplicar...” Fui toda solícita, pois fazer o bem sem olhar a quem é o meu lema, fui criada como católica apostólica romana e para não ser diferente das outras bichas lá do bairro, fui bulinadíssima pelo padre Menezinho da Ribeira que dava a dedava em toda a criançada. E ao lado daquela mãe aflita entrei no quarto, senti uma palpitação no cu. Tive muita tesão e coitadinho, aquele gostoso homem forte ardia em febre.”

A dor e a febre foram curadas, apliquei uma injeção e ganhei a confiança do homem forte.
“Dei um jeito para me livrar da velha e me aproveitando do momento fiz a minha pregação, puxei a brasa para a minha Sardinha – ...Valverde safado, sair com essas putas dá nisso! Você está podre homem, se não cuidar essa sua rola vai cair, você está com blenorragia! O pau arde quando mija e sai uma coisa amarelada né? Então, depois dessa injeção nada de maromba por estes dias e passa lá em casa que eu te dou uns comprimidos que vão te curar. Passada uma semana ele ficou bom, gostou da minha cama, comeu meu rabo e adorou o mingau de Inhame que eu fazia para merendar e tem mais. No meu quintal treinava todos os dias. Cinco horas de esforço de domingo a domingo. No trabalho descarregava navios e de noite levantava peso. E para alongar se pendurava nas barras de cano. Portanto, se não podem falar de outro assunto, se calem porque de homem forte eu entendo”

A renovação foi total, tirei o bigode, perdi uns kilos e tomei muita pica do Valverde. |